Relembrando os velhos tempos e relendo os posts cheios de teias de aranha que estão por aqui, recordei-me de um vídeo que os meus alunos de 1º ano de 2009 lá do Decisão fizeram. Quando eu passei o trabalho, nem esperava que houvesse tanto empenho em fazê-lo, uma vez que o tempo era curto e a tarefa era complicada. Apesar de tudo, surgiram trabalhos muito bons e um vídeo que é óóóótimo. heheheheh
Sobre concordância nominal!!!! Eu vou te ensinar a concordar, eu quero aprender a concordância nominal. Tem que aprender não vale decorar!! O vestibular tá perto de chegar!!!!! uhuhuuhuh AMEI!!!
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O homem é o lobo do homem
Na prova da 6ª série, resolvi acatar uma sugestão da minha amiga Amanda sobre o tema do texto de opinião dos alunos:
"O homem é o lobo do homem?"
Frase antiga, dita por Hobbes, mas que tem grande valor significativo. Entre respostas, me deparo com um texto maravilhoso. Digo maravilhoso tendo em vista que a criatura tem apenas 12 anos, é pequeno, novato e tímido. No entanto, deixa muito aluno de terceiro ano no chinelo. Leia:
O homem é o lobo do homem (Matheus Freire)
O homem é sua própria destruição. Ele ataca a si próprio, destruindo o seu lar (planeta) e a sua espécie. O homem mata seu próximo. A espécie que denominamos animal não mata um de sua própria espécie, mas o que denominamos humano, este sim, mata e faz outro sangrar.
Dizemos que os animais são irracionais e nós racionais. Se os animais não pensam e não fazem ações tão cruéis quanto as nossas, por que os consideramos inferiores? Os animais não pensam, mas não atacam a sua própria espécie. Imagine se pensassem? Será que seriam iguais a nós, com pensamento sobre poder?
Nós acabamos literalmente com nossa condição pensativa de sermos racionais e somos vergonha aos animais que não pensam.
Grande são os que não se destroem e não os humanos, que não conhecem sua ignorância e vivem em uma realidade cruel da nossa sociedade.
Todo ser humano é movido pelo mundo da sociedade e do seu valor e poder. O animal, como não tem conhecimento do que é a sociedade, não vive do nosso modo. Já o ser humano, não controla o seu valor e o da sociedade onde habita.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------
"O homem é o lobo do homem?"
Frase antiga, dita por Hobbes, mas que tem grande valor significativo. Entre respostas, me deparo com um texto maravilhoso. Digo maravilhoso tendo em vista que a criatura tem apenas 12 anos, é pequeno, novato e tímido. No entanto, deixa muito aluno de terceiro ano no chinelo. Leia:
O homem é o lobo do homem (Matheus Freire)
O homem é sua própria destruição. Ele ataca a si próprio, destruindo o seu lar (planeta) e a sua espécie. O homem mata seu próximo. A espécie que denominamos animal não mata um de sua própria espécie, mas o que denominamos humano, este sim, mata e faz outro sangrar.
Dizemos que os animais são irracionais e nós racionais. Se os animais não pensam e não fazem ações tão cruéis quanto as nossas, por que os consideramos inferiores? Os animais não pensam, mas não atacam a sua própria espécie. Imagine se pensassem? Será que seriam iguais a nós, com pensamento sobre poder?
Nós acabamos literalmente com nossa condição pensativa de sermos racionais e somos vergonha aos animais que não pensam.
Grande são os que não se destroem e não os humanos, que não conhecem sua ignorância e vivem em uma realidade cruel da nossa sociedade.
Todo ser humano é movido pelo mundo da sociedade e do seu valor e poder. O animal, como não tem conhecimento do que é a sociedade, não vive do nosso modo. Já o ser humano, não controla o seu valor e o da sociedade onde habita.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------
sexta-feira, 18 de março de 2011
Deixe-se cativar...
(...)
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer.
**************************************************************
É o tempo que perdemos com as nossas coisas e com as pessoas que fazem delas tão importantes, essa é uma verdade que eu não vou esquecer...
Eu nunca vou esquecer, porque me deixei cativar. Isso faz algum sentido para você?
Deixe-se cativar!
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer.
**************************************************************
É o tempo que perdemos com as nossas coisas e com as pessoas que fazem delas tão importantes, essa é uma verdade que eu não vou esquecer...
Eu nunca vou esquecer, porque me deixei cativar. Isso faz algum sentido para você?
Deixe-se cativar!
sábado, 12 de março de 2011
Por que (não) ser professor?
O que motiva alguém em pleno século XXI, influenciado pelo capitalismo desenfreado, pelo desejo de estar em evidência, de ficar rico,de ser reconhecido... o que motiva alguém a ser professor?
Esta semana, uma aluna do pré-vestibular me disse que pensava em fazer Letras, que achava interessante a profissão de professor e que queria a minha opinião.
Oh, my God!
Quando você decide ser professor atualmente, há mais pessoas contra a sua vontade do que a favor. Você sempre escuta a mesma coisa: "Mas você vai ser professor? Meu Deus!!" É, gente, confesso que fiquei insegura quando ela me perguntou. Fiquei na dúvida se dizia "Sim, vai nessa, você vai adorar a profissão" ou se optava pelo lado negativo "Não faça isso, tantos anos de estudo talvez não sejam reconhecidos". Pensei, pensei e disse a ela exatamente o que me disseram um dia: toda profissão tem as suas dificuldades. As dificuldades pelas quais passa o professor estão escancaradas para quem quiser ver. Escolas mal preparadas, salários baixos, falta de incentivo são só algumas delas. O trabalho é grande, mas é recompensador ver que você contribui para a construção de um ser humano, que você fez parte de diversas vidas, que as pessoas se espelham em você e que até adquirem seus modos de agir, de falar, porque consideram você um exemplo. É possível sim crescer na profissão, ir além, estudar, aprender, ensinar... É tão pobre aquele que já se cansou do conhecimento.
Eu penso que há tanta coisa no mundo a se descobrir, a estudar e que eu sei tão pouco, por que você não pensa por esse lado? Por que tantos alunos não veem o lado maravilhoso do estudar??
Eu poderia ter dito a ela que não fizesse isso, que fosse para uma área em que o mercado é amplo, as condições são melhores, mas não...
A MELHOR PROFISSÃO É A DO PROFESSOR! Ninguém passa na vida sem um professor, seja ele um pai, uma mãe, um mestre da escola, mas todos temos um professor. E se os professores não existissem, todos seriam joguetes nas mãos dos políticos que querem um povo cada vez mais ignorante, cada vez mais alienado. Não! Precisamos de professores! E cada vez que alguém diz que a profissão de professor não presta, devia lavar a boca, bater na madeira e pedir perdão a Deus pela blasfêmia, porque 'SIM, PRECISAMOS DE PROFESSORES'. Cada um é professor de alguém e talvez professor de si mesmo.
O professor luta pela transformação, conhece as limitações dos outros, se entrega numa causa que não é sua, mas de outra pessoa, para que essa outra pessoa cresça e no futuro - quem sabe - reconheça, no bom profissional que se tornará, a marca daquele que o formou.
Sim, precisamos de professores! Para serem, muitas vezes, mais do que profissionais, serem amigos, confidentes, ajudantes...
Por fim, eu disse "Sim, seja professora. Não tenha ilusões, mas também não se abata diante das dificuldades". Talvez daqui a alguns anos, eu mesma não esteja mais em uma sala de aula, como muitas vezes cheguei a afirmar, mas, mesmo assim, nunca deixarei de ser PROFESSORA!
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Pequenas gotas de otimismo
As coisas acontecem quando têm que acontecer, pelo menos é assim comigo. Resolvi não correr, não desesperar, não blasfemar, não me entristecer com o que acontece ao meu redor. Estou me desintoxicando. Desintoxicando de palavras, de momentos, de lugares, de pessoas. Estou vendo que é preciso às vezes revisitar o passado para poder olhar o futuro e entender o presente.
Entendi que é preciso dar mais valor a mim, à saúde, ao compromisso com as pessoas e não com as situações. Percebi que meus alunos, principalmente, têm um pouco de mim, alguma coisa, de algum modo e isso me deu um novo ânimo. Meu 2011 começou hj! ^^
Por que estou falando isso?? Hoje recebi um email de Lara, uma aluna amada lá do Elo, que será 3º ano este ano. Foi um email de solicitação, mas que me deixou tão feliz e realizada que Lara talvez nem imagine que ela me fez ganhar o dia e iniciou o meu ano. Segue um trecho:
Oi Eduarda, aqui é Lara, sua aluna do elo no 2° ano....
Estou te escrevendo pra te desejar um feliz 2011 meio
atrasado, rsrsrs! Aurélia me ligou esta semana, e me disse
que você continuaria sendo nossa professora de Literatura o que
me deixou muito feliz, porque você sabe que te adoro, e sei a profissional
competentìssima que você é, ( estou imitando José Dias nos Superlativos!) rsrsrrs
(...)
todas estamos com saudades, e te desejamos muita Paz, Saúde, Alegria e tuuuudo mais em 2011 que Deus sempre proteja você e sua família! beijos...
Primeiro:
Eu fico tão feliz com essas felicitações de ano novo totalmente fora de data, elas significam que a pessoa realmente te deseja aquilo e não está mandando felicidades somente porque é o momento de mandar (entre o dia 20 de dezembro e o dia 31).
Segundo:
Quando diz "Aurélia me ligou e disse que vc seria a professora de Literatura" me deixa mais feliz ainda. Eu sei q Aurélia não ligou somente pra isso, mas o fato de ela ter lembrado disso me deixa muito satisfeita.
Terceiro:
Nossa, gente!! Noooosssaaa!!!! Vcs não sabem como fiquei feliz com a referência a José Dias. Machado de Assis foi absorvido de alguma forma, por alguém, e aquelas reclamações de que a leitura era difícil, chata, e pior "que Machado não prestava"(oh, God!)pelo menos não eram generalizadas...
Todos os anos eu pego turmas novas, com novos alunos, mas com eles foi diferente. Esse terceiro ano é o primeiro que eu acompanho desde que eram primeiro ano do médio. Além disso, eles sabem o peso que têm na minha vida e com certeza serão pessoas lembradas para sempre na minha memória. Por isso achei que eles deveriam ser lembrados aqui. É uma pequena homenagem, eles sabem que a nossa amizade é maior do que isso, que são uma turma em que realmente me sinto bem, entre pessoas maravilhosas!
Lara, Analice, JAQUELINE (se eu não colocar o nome dela em caixa alta, ela vai dizer que eu gosto mais da 6ª série), Juliana, Hortênsia, Uyara, Renata, Mirella, Nathália, Laís, Talita, Ketellyn, Francine, Taysa, Arthur, Diogo, Guilherme, Vinícius, Mateus, Deivson e os outros que não entraram nesta lista meu MUITO OBRIGADA pelos momentos que passamos juntos no ano de 2010. Desejo estarmos juntos neste ano, estudando, conversando, tirando dúvidas, na esperança por uma vaga na universidade, que vcs merecem!! Meu trabalho já foi recompensado.
Beijos,
FELIZ 2011!!!!
P.S.: povo de quem eu roubei as fotos, perdoem-me. Se vocês preferirem, posso tirá-las daqui.
2º ano 2010 Elo
Lara e Hortênsia
Analice, Hortênsia e Juliana
Entendi que é preciso dar mais valor a mim, à saúde, ao compromisso com as pessoas e não com as situações. Percebi que meus alunos, principalmente, têm um pouco de mim, alguma coisa, de algum modo e isso me deu um novo ânimo. Meu 2011 começou hj! ^^
Por que estou falando isso?? Hoje recebi um email de Lara, uma aluna amada lá do Elo, que será 3º ano este ano. Foi um email de solicitação, mas que me deixou tão feliz e realizada que Lara talvez nem imagine que ela me fez ganhar o dia e iniciou o meu ano. Segue um trecho:
Oi Eduarda, aqui é Lara, sua aluna do elo no 2° ano....
Estou te escrevendo pra te desejar um feliz 2011 meio
atrasado, rsrsrs! Aurélia me ligou esta semana, e me disse
que você continuaria sendo nossa professora de Literatura o que
me deixou muito feliz, porque você sabe que te adoro, e sei a profissional
competentìssima que você é, ( estou imitando José Dias nos Superlativos!) rsrsrrs
(...)
todas estamos com saudades, e te desejamos muita Paz, Saúde, Alegria e tuuuudo mais em 2011 que Deus sempre proteja você e sua família! beijos...
Primeiro:
Eu fico tão feliz com essas felicitações de ano novo totalmente fora de data, elas significam que a pessoa realmente te deseja aquilo e não está mandando felicidades somente porque é o momento de mandar (entre o dia 20 de dezembro e o dia 31).
Segundo:
Quando diz "Aurélia me ligou e disse que vc seria a professora de Literatura" me deixa mais feliz ainda. Eu sei q Aurélia não ligou somente pra isso, mas o fato de ela ter lembrado disso me deixa muito satisfeita.
Terceiro:
Nossa, gente!! Noooosssaaa!!!! Vcs não sabem como fiquei feliz com a referência a José Dias. Machado de Assis foi absorvido de alguma forma, por alguém, e aquelas reclamações de que a leitura era difícil, chata, e pior "que Machado não prestava"(oh, God!)pelo menos não eram generalizadas...
Todos os anos eu pego turmas novas, com novos alunos, mas com eles foi diferente. Esse terceiro ano é o primeiro que eu acompanho desde que eram primeiro ano do médio. Além disso, eles sabem o peso que têm na minha vida e com certeza serão pessoas lembradas para sempre na minha memória. Por isso achei que eles deveriam ser lembrados aqui. É uma pequena homenagem, eles sabem que a nossa amizade é maior do que isso, que são uma turma em que realmente me sinto bem, entre pessoas maravilhosas!
Lara, Analice, JAQUELINE (se eu não colocar o nome dela em caixa alta, ela vai dizer que eu gosto mais da 6ª série), Juliana, Hortênsia, Uyara, Renata, Mirella, Nathália, Laís, Talita, Ketellyn, Francine, Taysa, Arthur, Diogo, Guilherme, Vinícius, Mateus, Deivson e os outros que não entraram nesta lista meu MUITO OBRIGADA pelos momentos que passamos juntos no ano de 2010. Desejo estarmos juntos neste ano, estudando, conversando, tirando dúvidas, na esperança por uma vaga na universidade, que vcs merecem!! Meu trabalho já foi recompensado.
Beijos,
FELIZ 2011!!!!
P.S.: povo de quem eu roubei as fotos, perdoem-me. Se vocês preferirem, posso tirá-las daqui.
2º ano 2010 Elo
Lara e Hortênsia
Analice, Hortênsia e Juliana
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Meus primeiros anos de 2010
O ano letivo finalmente terminou. No último dia de aula, eu prometi aos queridos pestinhas do 1º ano do Decisão que iria escrever uma postagem aqui para eles em homenagem. Isso porque eu não serei professora deles ano que vem.
Nunca tive um aluno que dissesse gostar de Português, eu digo a matéria, porque se for português que veio de Portugal, moreno, alto, bonito e sensual, todas as meninas vão dizer que amam português desde pequenininhas. Não é desse português que eu falo, com letra minúscula, mas do Português matéria, com letra maiúscula. A gente tenta tirar o bloqueio, falar mais de língua ao invés da gramática, não que esta não seja importante, mas aquela é tão esquecida.
O início do ano é sempre um desafio, não tem como não ficar nervosa, ansiosa com o que virá. O novo sempre nos deixa nessa tensão. Esse ano não foi diferente. Iniciamos bem, eles com cara de criança ainda, cheios de Justin Bieber na cabeça, Restart etc. No decorrer do ano, pude ver alguns amadurecerem, falarem de coisas mais sérias, aumentarem de tamanho, namorarem, continuarem falando besteiras, rirem, chorarem e até ficarem de luto verdadeiro.
Todos os anos é uma gestação. Gestação dos filhos dos outros, que eu faço e que em dezembro se acaba e eles vão embora, já que a próxima fornada estará vindo no ano que vem.
Tem sempre lugar para gente nova que entra, essa gente chata, que reclama de tudo, faz barulho, joga bola de papel, elogia, se desespera com o vestibular (ou não) e tudo mais. Perdoem-me os que não aparecem nesta postagem, vocês não foram menos importantes, lembrarei de cada um, mesmo que eu não saiba o nome. Mas as figurinhas dos meus primeiros anos eu não esqueço mais:
Pedro inventou um novo tipo de oração subordinada "oração subordinada satanista do inferno reduzida do abismo do buraco negro !". Dessa eu ri demais. Veja como ele A-DO-RA o assunto, mas gosta tanto que decorou até a ordem das classes gramaticais e colocou certinho intuitivamente, ou seja, sabe usar a língua portuguesa.
Rafaella (com 2 LL), que virou minha filha por uns tempos, depois virou homem de lata, virou Gribalda, virou braba, virou risonha, me deu uma caixa de sabonete e um cartão de Dia das mães...
As "DE BRANCO": Ana Fragoso, Jéssica, Maria Carolina, Islayne, Mariana Carla, Gabriela Lopes, Camila Santiago, que foram filmar O Mágico de Oz, foram tão mordidas de muriçoca quanto eu e me deram o prêmio de Melhor Propaganda da ExpoArte 2010... Robert, que foi o leão; Nayara, que foi Dorothy... Obrigada, gente.
Não me esquecerei também daqueles meninos que sentavam atrás: Henrique, Arthur, Alex, Ricardo, Rebert, Rafael, Mateus Mendes... e das meninas MAGDALAAAAA, Alana, Elisa, Rebeka e Rebeca (conversadooooras). Dei tantas risadas verdadeiras com vcs.
Cesar, com o seu inconfundível “belê, fessora??”, foi embora tão cedo...
Gabi Lopes ficou comigo mais de um ano, não sabe o quanto gosto de você. As meninas da frente Rayssa e Mayara, essa última que foi par foi para a tarde, voltou só pq me amava (brincadeirinhaaaa). Letícia Mourato, Marcus (que saiu no meio do ano)... esses quatro muito interessados.
Monik, braba que era ela, aff, toda grossa dando dedo para Deus e o mundo, esqueço não, viu??
No meu 1º A tinha as fofuras Tathi e Michelle (apertadoras mor de bochechas), todas as aulas elas davam uma apertada, faziam peixinho, mandavam eu falar uma frase com a bochecha apertada (que mico, hein??). Carolina Gouveia, que parece uma boneca de porcelana, fica bonita em qualquer foto, muuuuuuuuuuuito fofa. Grazi, essa é meio braba, reclamona, mas eu ammmoooooo de paixão; Camila Machado, sentimental, às vezes no mundo da lua, não sabe como foi bom ter entrado na minha vida...
Duda, que dizia que eu falava muito, já pensou?? Deve ser mal das Eduardas. Demétrius e Rebeca, perguntadores natos, ele vive no mundo da lua, pergunta as coisas e quando a gente vai responder ele já foi pro mundo dele, autista por opção hehehehe na hora da minha prova, acertou todas, até a extra e tirou 11,0, o único aluno que conseguiu essa façanha em toda a minha vida de prof. Já ela fica com aquela cara de “não to entendendo, vou matar a professora”, mas no fundo eu sei que ela sabe.
Não posso deixar de citar Larissa, a idealizadora deste blog nem Marcelly e Rayssa, que viviam para lá e para cá “tia Duda, tia Duda”. Matheus Cavalcante, fez um levante no Praia Limpa e hoje, graças a ele, toda a praia sabe quem eu sou heheheheh. Danilo Victor, passou mais de um ano comigo e até postou sobre mim no blog dele, dizendo que a turma do ano passado não gostava de mim, isso antes de eles me amarem hahahaha
Filipe (não sei se é assim), web designer de plantão, meu segundo Edvaldo nessas coisas de computação (já que essas conversas eu só tenho com os dois). Vanessa: inteligência, beleza e dedicação é com ela mesma. É, minha gente, eu prestava mais atenção em vcs do que vcs podem imaginar.
2010 terminou. Ano que vem, quem sabe, virão outros. Será uma nova jornada, diferente, com certeza. Todos que passam pela nossa vida não passam em vão, sempre deixam um pouco de si e levam um pouco de nós, já dizia o poeta. O ano de 2010 foi de vcs, sucesso, felicidade, amor e uma passagem garantida no vestibular é o que eu desejo. Ano que vem é dureza, mas bola pra frente. E quando precisar, estarei aqui, é só chamar...
1º A
1º B
Nunca tive um aluno que dissesse gostar de Português, eu digo a matéria, porque se for português que veio de Portugal, moreno, alto, bonito e sensual, todas as meninas vão dizer que amam português desde pequenininhas. Não é desse português que eu falo, com letra minúscula, mas do Português matéria, com letra maiúscula. A gente tenta tirar o bloqueio, falar mais de língua ao invés da gramática, não que esta não seja importante, mas aquela é tão esquecida.
O início do ano é sempre um desafio, não tem como não ficar nervosa, ansiosa com o que virá. O novo sempre nos deixa nessa tensão. Esse ano não foi diferente. Iniciamos bem, eles com cara de criança ainda, cheios de Justin Bieber na cabeça, Restart etc. No decorrer do ano, pude ver alguns amadurecerem, falarem de coisas mais sérias, aumentarem de tamanho, namorarem, continuarem falando besteiras, rirem, chorarem e até ficarem de luto verdadeiro.
Todos os anos é uma gestação. Gestação dos filhos dos outros, que eu faço e que em dezembro se acaba e eles vão embora, já que a próxima fornada estará vindo no ano que vem.
Tem sempre lugar para gente nova que entra, essa gente chata, que reclama de tudo, faz barulho, joga bola de papel, elogia, se desespera com o vestibular (ou não) e tudo mais. Perdoem-me os que não aparecem nesta postagem, vocês não foram menos importantes, lembrarei de cada um, mesmo que eu não saiba o nome. Mas as figurinhas dos meus primeiros anos eu não esqueço mais:
Pedro inventou um novo tipo de oração subordinada "oração subordinada satanista do inferno reduzida do abismo do buraco negro !". Dessa eu ri demais. Veja como ele A-DO-RA o assunto, mas gosta tanto que decorou até a ordem das classes gramaticais e colocou certinho intuitivamente, ou seja, sabe usar a língua portuguesa.
Rafaella (com 2 LL), que virou minha filha por uns tempos, depois virou homem de lata, virou Gribalda, virou braba, virou risonha, me deu uma caixa de sabonete e um cartão de Dia das mães...
As "DE BRANCO": Ana Fragoso, Jéssica, Maria Carolina, Islayne, Mariana Carla, Gabriela Lopes, Camila Santiago, que foram filmar O Mágico de Oz, foram tão mordidas de muriçoca quanto eu e me deram o prêmio de Melhor Propaganda da ExpoArte 2010... Robert, que foi o leão; Nayara, que foi Dorothy... Obrigada, gente.
Não me esquecerei também daqueles meninos que sentavam atrás: Henrique, Arthur, Alex, Ricardo, Rebert, Rafael, Mateus Mendes... e das meninas MAGDALAAAAA, Alana, Elisa, Rebeka e Rebeca (conversadooooras). Dei tantas risadas verdadeiras com vcs.
Cesar, com o seu inconfundível “belê, fessora??”, foi embora tão cedo...
Gabi Lopes ficou comigo mais de um ano, não sabe o quanto gosto de você. As meninas da frente Rayssa e Mayara, essa última que foi par foi para a tarde, voltou só pq me amava (brincadeirinhaaaa). Letícia Mourato, Marcus (que saiu no meio do ano)... esses quatro muito interessados.
Monik, braba que era ela, aff, toda grossa dando dedo para Deus e o mundo, esqueço não, viu??
No meu 1º A tinha as fofuras Tathi e Michelle (apertadoras mor de bochechas), todas as aulas elas davam uma apertada, faziam peixinho, mandavam eu falar uma frase com a bochecha apertada (que mico, hein??). Carolina Gouveia, que parece uma boneca de porcelana, fica bonita em qualquer foto, muuuuuuuuuuuito fofa. Grazi, essa é meio braba, reclamona, mas eu ammmoooooo de paixão; Camila Machado, sentimental, às vezes no mundo da lua, não sabe como foi bom ter entrado na minha vida...
Duda, que dizia que eu falava muito, já pensou?? Deve ser mal das Eduardas. Demétrius e Rebeca, perguntadores natos, ele vive no mundo da lua, pergunta as coisas e quando a gente vai responder ele já foi pro mundo dele, autista por opção hehehehe na hora da minha prova, acertou todas, até a extra e tirou 11,0, o único aluno que conseguiu essa façanha em toda a minha vida de prof. Já ela fica com aquela cara de “não to entendendo, vou matar a professora”, mas no fundo eu sei que ela sabe.
Não posso deixar de citar Larissa, a idealizadora deste blog nem Marcelly e Rayssa, que viviam para lá e para cá “tia Duda, tia Duda”. Matheus Cavalcante, fez um levante no Praia Limpa e hoje, graças a ele, toda a praia sabe quem eu sou heheheheh. Danilo Victor, passou mais de um ano comigo e até postou sobre mim no blog dele, dizendo que a turma do ano passado não gostava de mim, isso antes de eles me amarem hahahaha
Filipe (não sei se é assim), web designer de plantão, meu segundo Edvaldo nessas coisas de computação (já que essas conversas eu só tenho com os dois). Vanessa: inteligência, beleza e dedicação é com ela mesma. É, minha gente, eu prestava mais atenção em vcs do que vcs podem imaginar.
2010 terminou. Ano que vem, quem sabe, virão outros. Será uma nova jornada, diferente, com certeza. Todos que passam pela nossa vida não passam em vão, sempre deixam um pouco de si e levam um pouco de nós, já dizia o poeta. O ano de 2010 foi de vcs, sucesso, felicidade, amor e uma passagem garantida no vestibular é o que eu desejo. Ano que vem é dureza, mas bola pra frente. E quando precisar, estarei aqui, é só chamar...
1º A
1º B
domingo, 5 de dezembro de 2010
Filosofia da lavagem do chão
A primeira escola em que eu ensinei funciona em um prédio de 1º andar. Nas salas de baixo, acho que funcionavam as turmas dos alunos menores (não me lembro exatamente) e nas salas de cima os maiores. No final da escada, embaixo, há um corredor que vai dar na porta da rua. Antes do portão de saída do prédio, fica à esquerda a sala do diretor e à direita a sala dos professores.
No fatídico dia, desci até o térreo e fiquei parada analisando o meu fracasso. Analisei as aulas que eu tinha dado, as minhas expectativas anteriores a elas, as minhas noites de sono perdidas, o curso que eu estava fazendo, isso tudo numa fração de segundo. Fiquei parada sem saber o meu destino: se eu entrasse à direita, teria mais um dia de choro, mais uma noite sem sono; se entrasse à esquerda, pediria demissão e aceitaria minha derrota.
Entrei na sala dos professores e, enquanto os outros falavam, eu pensava em como encarar o diretor e o que dizer a ele por aquela desistência. Ele era um homem jovem, de uns trinta e poucos anos, porém conhecido pela rigidez e pelo exagero das expressões, parecia que ele estava encenando uma peça.
BREVE LEMBRANÇA DO DIA EM QUE CONHECI O DIRETOR E SUAS NOBRES PALAVRAS:
Três criaturas paradas no corredor do colégio examinando o ambiente: Juliana, Luciano e eu.
- Nós viemos falar com o diretor Fulano de Tal. - disse ao guarda.
- É aquele ali. Aquele com a vassoura na mão.
(Calma, ele não se preparava para voar. Esse é um atributo apenas das bruxas e dos fofíssimos bruxos de Harry Potter, o que ele estava bem longe de ser)
A vassoura ele estava dando a um aluno que tinha brigado. O outro brigão tinha ido buscar a sua na cozinha, eles iam varrer o colégio como castigo.
- Bom dia, diretor, poderíamos falar com o senhor?
- Quem são vocês? Estagiários?
- ... é.
Entramos na sala dele.
- Bom, é o seguinte: o público com que a escola trabalha é bem difícil, algumas escolas da nossa vizinhança só trabalham com uma viatura na porta, mas aqui não, aqui é diferente, enquanto eu estiver sentado nessa cadeira a escola não precisa de viatura para funcionar. Eu dou o sangue por essa escola.
- Nós vimos, achei bem interessante como eles obedecem às suas ordens aqui, vimos o episódio da vassoura e estávamos ali comentando. - interrompe Luciano.
- Pois bem, minha gente, vamos deixar as coisas bem claras. Eu queria dizer que, em primeiro lugar, esses meninos são como meus filhos. Se um professor não serve para meu filho, não serve para minha escola, então é rua. Não me interessa se você tem pai, mão, filho, namorado, papagaio, passarinho, contas a pagar, ficou doente, não quero saber, faltou é rua. Eu gosto de estagiário por isso, porque se faltar é rua. Outra coisa: não toquem nos meninos. Se um menino desses der na senhora e machucar o dedo, professora (dirigindo-se a mim), a senhora vai presa porque o Estatuto acoberta. Aqui tudo passa pela minha organização, sabe por quê? Porque eu não tenho coração, o meu coração eu piquei e coloquei na merenda, ele está nessa escola. Se o professor não serve para a escola, então ele tem que sair.
Naquele dia de desistência, eu - que tenho coração e que, inclusive, estava batendo severamente rápido por ter que tomar uma decisão tão importante - resolvi encarar a fera sem alma. Entrei na sala dele com os livros na mão para apertar e dar coragem:
- Bom dia, Professor Fulano.
- Bom dia.
- Gostaria de falar com o senhor.
- Fale.
- Estou desistindo, queria que o senhor devolvesse a minha carta à central de estágio.
- Mas por quê???
- Não aguento mais, quero ir embora.
- A senhora está nervosa. Vá para casa e repense. Veja, no início é sempre difícil, eu mesmo já estou aqui nesta cadeira há 4 anos e nesta cadeira já fui chamado de filho da ..., via..., mandaram tomar no... e eu continuo sentado aqui, portanto eu acho que a senhora não deve desistir. Imagina a minha dificuldade pra conseguir alguém agora? Eu digo mesmo: se a senhora sair daqui, nunca mais vai achar uma escola que preste, vai ser igual ou pior que esta. Vai desistir da profissão, é?
Eu já estava com os olhos marejados, mas tinha prometido para mim mesma que não ia chorar na frente dele.
- Se for preciso, sim!
Ele não esperava essa resposta. Ficou calado, olhando para a minha cara. Me encarava como se quisesse ver quem iria abaixar a cabeça primeiro. Então falou:
- A senhora está muito nervosa. Vá para casa e pense. Depois a senhora liga para mim e me diz uma resposta.
Saí, peguei o ônibus e desci na parada certa. Era uma mistura de alívio e tristeza com fracasso que tinha tomado conta de mim.
Entrei no supermercado e em um dos corredores havia um rapaz limpando o chão. Minha mente tem vida própria e conversa com a minha consciência o tempo todo. Uma disse para a outra:
- Tá vendo? Veja o trabalho dele. Deve ganhar um salário mínimo, mais do que você ganha com esse estágio e ninguém o incomoda.
- Sim, mas eu sou alérgica a produtos de limpeza, como poderia fazer isso?
- Não é disso que estou falando. Pese o seu trabalho e o dele. Você tem curso superior, estudou tanto, tirou boas notas e foi parar naquele lugar, trabalhando com a voz, gritando para ser ouvida quando o que você diz é mais importante para quem devia ouvir e não para você que fala. Ele limpa, fala piada, ouve música, diz palavrão e não precisa chorar o dia todo.
- hummm...
- Isso não é justo! Não que o trabalho dele não seja digno, mas você poderia estar num lugar melhor, entende?
- Sim. Hoje eu não vou chorar.
Fui para casa decidida. Eu tinha superado o trauma, não ia chorar. Chegando no portão, meu cachorro me sorriu latindo, não coloquei as malas no chão porque não as tinha, mas minha mãe veio abrir a porta. A cara dela era de uma expectativa tão grande que eu comecei a chorar dali mesmo. Desabei. Ela começou a chorar também e disse que isso não era trabalho pra ninguém, que se estava tão ruim assim o melhor era sair mesmo.
Peguei o número da escola e liguei:
- Alô, diretor? Sou eu, Eduarda. Estou ligando pra dizer que desisti mesmo.
- Certo, professora. Adeus.
Tututututututu.......
Desligou na minha cara, mal educado. Não sei se eu pulei de alegria, mas lembro que na mesma hora peguei um monte de atividades que os alunos tinham feito, rasguei e joguei no lixo. Foi importante para a minha alma ter feito isso, era como uma vingança pelo que eles tinham feito. Foi assim que tudo terminou.
Deus fez o mundo em sete dias e em três eu modifiquei o meu.
No fatídico dia, desci até o térreo e fiquei parada analisando o meu fracasso. Analisei as aulas que eu tinha dado, as minhas expectativas anteriores a elas, as minhas noites de sono perdidas, o curso que eu estava fazendo, isso tudo numa fração de segundo. Fiquei parada sem saber o meu destino: se eu entrasse à direita, teria mais um dia de choro, mais uma noite sem sono; se entrasse à esquerda, pediria demissão e aceitaria minha derrota.
Entrei na sala dos professores e, enquanto os outros falavam, eu pensava em como encarar o diretor e o que dizer a ele por aquela desistência. Ele era um homem jovem, de uns trinta e poucos anos, porém conhecido pela rigidez e pelo exagero das expressões, parecia que ele estava encenando uma peça.
BREVE LEMBRANÇA DO DIA EM QUE CONHECI O DIRETOR E SUAS NOBRES PALAVRAS:
Três criaturas paradas no corredor do colégio examinando o ambiente: Juliana, Luciano e eu.
- Nós viemos falar com o diretor Fulano de Tal. - disse ao guarda.
- É aquele ali. Aquele com a vassoura na mão.
(Calma, ele não se preparava para voar. Esse é um atributo apenas das bruxas e dos fofíssimos bruxos de Harry Potter, o que ele estava bem longe de ser)
A vassoura ele estava dando a um aluno que tinha brigado. O outro brigão tinha ido buscar a sua na cozinha, eles iam varrer o colégio como castigo.
- Bom dia, diretor, poderíamos falar com o senhor?
- Quem são vocês? Estagiários?
- ... é.
Entramos na sala dele.
- Bom, é o seguinte: o público com que a escola trabalha é bem difícil, algumas escolas da nossa vizinhança só trabalham com uma viatura na porta, mas aqui não, aqui é diferente, enquanto eu estiver sentado nessa cadeira a escola não precisa de viatura para funcionar. Eu dou o sangue por essa escola.
- Nós vimos, achei bem interessante como eles obedecem às suas ordens aqui, vimos o episódio da vassoura e estávamos ali comentando. - interrompe Luciano.
- Pois bem, minha gente, vamos deixar as coisas bem claras. Eu queria dizer que, em primeiro lugar, esses meninos são como meus filhos. Se um professor não serve para meu filho, não serve para minha escola, então é rua. Não me interessa se você tem pai, mão, filho, namorado, papagaio, passarinho, contas a pagar, ficou doente, não quero saber, faltou é rua. Eu gosto de estagiário por isso, porque se faltar é rua. Outra coisa: não toquem nos meninos. Se um menino desses der na senhora e machucar o dedo, professora (dirigindo-se a mim), a senhora vai presa porque o Estatuto acoberta. Aqui tudo passa pela minha organização, sabe por quê? Porque eu não tenho coração, o meu coração eu piquei e coloquei na merenda, ele está nessa escola. Se o professor não serve para a escola, então ele tem que sair.
Naquele dia de desistência, eu - que tenho coração e que, inclusive, estava batendo severamente rápido por ter que tomar uma decisão tão importante - resolvi encarar a fera sem alma. Entrei na sala dele com os livros na mão para apertar e dar coragem:
- Bom dia, Professor Fulano.
- Bom dia.
- Gostaria de falar com o senhor.
- Fale.
- Estou desistindo, queria que o senhor devolvesse a minha carta à central de estágio.
- Mas por quê???
- Não aguento mais, quero ir embora.
- A senhora está nervosa. Vá para casa e repense. Veja, no início é sempre difícil, eu mesmo já estou aqui nesta cadeira há 4 anos e nesta cadeira já fui chamado de filho da ..., via..., mandaram tomar no... e eu continuo sentado aqui, portanto eu acho que a senhora não deve desistir. Imagina a minha dificuldade pra conseguir alguém agora? Eu digo mesmo: se a senhora sair daqui, nunca mais vai achar uma escola que preste, vai ser igual ou pior que esta. Vai desistir da profissão, é?
Eu já estava com os olhos marejados, mas tinha prometido para mim mesma que não ia chorar na frente dele.
- Se for preciso, sim!
Ele não esperava essa resposta. Ficou calado, olhando para a minha cara. Me encarava como se quisesse ver quem iria abaixar a cabeça primeiro. Então falou:
- A senhora está muito nervosa. Vá para casa e pense. Depois a senhora liga para mim e me diz uma resposta.
Saí, peguei o ônibus e desci na parada certa. Era uma mistura de alívio e tristeza com fracasso que tinha tomado conta de mim.
Entrei no supermercado e em um dos corredores havia um rapaz limpando o chão. Minha mente tem vida própria e conversa com a minha consciência o tempo todo. Uma disse para a outra:
- Tá vendo? Veja o trabalho dele. Deve ganhar um salário mínimo, mais do que você ganha com esse estágio e ninguém o incomoda.
- Sim, mas eu sou alérgica a produtos de limpeza, como poderia fazer isso?
- Não é disso que estou falando. Pese o seu trabalho e o dele. Você tem curso superior, estudou tanto, tirou boas notas e foi parar naquele lugar, trabalhando com a voz, gritando para ser ouvida quando o que você diz é mais importante para quem devia ouvir e não para você que fala. Ele limpa, fala piada, ouve música, diz palavrão e não precisa chorar o dia todo.
- hummm...
- Isso não é justo! Não que o trabalho dele não seja digno, mas você poderia estar num lugar melhor, entende?
- Sim. Hoje eu não vou chorar.
Fui para casa decidida. Eu tinha superado o trauma, não ia chorar. Chegando no portão, meu cachorro me sorriu latindo, não coloquei as malas no chão porque não as tinha, mas minha mãe veio abrir a porta. A cara dela era de uma expectativa tão grande que eu comecei a chorar dali mesmo. Desabei. Ela começou a chorar também e disse que isso não era trabalho pra ninguém, que se estava tão ruim assim o melhor era sair mesmo.
Peguei o número da escola e liguei:
- Alô, diretor? Sou eu, Eduarda. Estou ligando pra dizer que desisti mesmo.
- Certo, professora. Adeus.
Tututututututu.......
Desligou na minha cara, mal educado. Não sei se eu pulei de alegria, mas lembro que na mesma hora peguei um monte de atividades que os alunos tinham feito, rasguei e joguei no lixo. Foi importante para a minha alma ter feito isso, era como uma vingança pelo que eles tinham feito. Foi assim que tudo terminou.
Deus fez o mundo em sete dias e em três eu modifiquei o meu.
Assinar:
Postagens (Atom)





